A pergunta “quem escreveu Eclesiastes?” costuma surgir quando alguém, cansado das respostas fáceis e dos clichês religiosos, encontra nesse livro bíblico um eco profundo de sua própria alma. Eclesiastes não fala com a voz da religiosidade superficial, mas com a voz do real. Ele toca a existência como ela é: complexa, cansativa, bela, frágil e, ao mesmo tempo, cheia de propósito quando vista à luz de Deus.
Muita gente lê Eclesiastes e pensa: “Esse autor conhecia a vida de verdade.” E é exatamente por isso que esse livro continua transformando corações séculos depois.
A voz por trás de Eclesiastes

A tradição judaico-cristã sempre entendeu que o autor de Eclesiastes é Salomão, o filho de Davi, conhecido como o rei mais sábio de Israel. Isso se apoia em duas características presentes no próprio livro.
O texto se apresenta como obra do “Pregador”, ou “Qohelet”, alguém que reúne o povo para ensinar. Ele se identifica como “filho de Davi, rei em Jerusalém”. Eclesiastes 1:12 diz: “Eu, o Pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.” Apenas um filho de Davi reinou sobre Israel unido: Salomão.
Há quem questione essa autoria por razões acadêmicas, mas o que importa para nós, leitores que buscam sentido espiritual, é que a voz que fala ali é a voz de alguém que viveu intensamente, experimentou prazeres, riqueza, sabedoria e poder, e descobriu que tudo isso, sem Deus, é “vaidade”, ou seja, vazio.
Esse é o tom do livro: a confissão honesta de alguém que viu tanto, sentiu tanto e, no fim, descobriu que nada substitui a presença do Criador.
Por que isso importa para nós hoje?
Saber quem escreveu Eclesiastes não é só curiosidade. É entender de onde nasce essa sabedoria tão profunda. Se a autoria é de Salomão, então estamos diante de alguém que teve tudo o que muitos perseguem desesperadamente.
- Experiências
- Aventuras
- Conhecimento
- Sexo
- Dinheiro
- Reconhecimento
- Poder
Quando alguém que teve tudo isso escreve repetidas vezes que nada disso sacia, é impossível ignorar. Isso derruba a ilusão que tantos carregam: “Quando eu conseguir isso, serei completo.”
Eclesiastes é quase uma carta aberta de um homem dizendo: “Eu fui até o fim dessa estrada por você. Não vale a pena sem Deus.”
A sabedoria que nasce do confronto com a realidade
A força de Eclesiastes está no fato de que ele não tenta pintar a vida com cores artificiais. Quem escreveu esse livro não fugiu do sofrimento, nem fingiu que tudo sempre dá certo. Essa é uma das razões pelas quais ele é tão atual.
Quando o autor diz que há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de colher, ele não está descrevendo um mundo ideal. Ele está descrevendo o mundo como ele é.
Em Eclesiastes 3:1-8, ele nos lembra que a vida é um conjunto de estações, e nenhuma delas permanece para sempre. Essa visão combate tanto o triunfalismo quanto o desespero. Não promete que o justo nunca sofrerá, mas também não afirma que tudo é sem sentido. Ele mostra que o sentido real está em Deus, não nas circunstâncias.
A busca por significado que todo ser humano conhece
O autor de Eclesiastes fala como alguém que tentou encontrar sentido na criação em vez do Criador. Ele buscou alegria no prazer, identidade na sabedoria, segurança nas riquezas. E tudo isso se mostrou insuficiente, apenas vaidade.
Eclesiastes 2:11 diz: “Considerei todas as obras que minhas mãos fizeram… e tudo era vaidade, correr atrás do vento.” Essa expressão, “correr atrás do vento”, descreve perfeitamente a vida moderna. Trabalhamos até o limite, nos comparamos, acumulamos, exibimos resultados. E mesmo assim o coração segue inquieto.
A voz de Eclesiastes desarma nossa ilusão de controle. Ela nos chama a reconhecer que somos limitados, que a vida passa rápido e que não somos os donos da história.
Essa honestidade, longe de nos esmagar, nos liberta. Porque quando aceitamos nosso limite, abrimos espaço para que Deus seja o centro da nossa vida.
O temor do Senhor: o ponto de chegada
Se você acompanhar o livro até o fim, perceberá que ele não termina em pessimismo. A conclusão surpreende pela simplicidade:
“Aqui termina meu relato. Esta é minha conclusão: tema a Deus e obedeça a seus mandamentos, pois esse é o dever de todos.”
Eclesiastes 12:13
Esse “temer” não é medo paralisante; é reverência. É colocar Deus no centro, não como um detalhe da vida espiritual, mas como fundamento de toda a vida. O autor percebe que tudo o que se faz sem Deus perde cor, perde sabor, perde substância. E tudo o que se faz diante de Deus ganha valor eterno.
No fim, Eclesiastes não é um livro sobre desilusão, mas sobre despertar. Ele desmonta nossas falsas esperanças para nos levar ao único lugar seguro.
O que a vida de quem escreveu Eclesiastes nos ensina
O testemunho do autor é um espelho. Ele nos obriga a olhar para dentro. Cada capítulo levanta perguntas que atravessam o tempo. O que estamos perseguindo? O que nos define? O que chamamos de sucesso? Do que estamos tentando fugir?
O Pregador nos ensina que:
- A vida é breve e preciosa
- O sofrimento faz parte da existência humana
- A alegria verdadeira não vem das mãos do homem
- O trabalho só tem sentido quando vivido para Deus
- A sabedoria humana nunca substitui a revelação divina
Essa perspectiva é profundamente humana e profundamente espiritual. É como se o autor dissesse: “Encare a vida com honestidade, viva com simplicidade, e entregue tudo nas mãos de Deus.”
Como aplicar essa sabedoria hoje
Quem escreveu Eclesiastes viveu num contexto muito diferente do nosso, mas a essência de sua mensagem é universal. Algumas aplicações práticas emergem naturalmente.
Primeiro, examine seu coração diante de Deus. Pergunte-se quais ventos você tem perseguido. Essa pergunta exige coragem, mas produz liberdade.
Segundo, pratique gratidão pelas pequenas coisas. O autor de Eclesiastes frequentemente celebra as dádivas simples: comer, beber, trabalhar, descansar. Ele mostra que Deus está presente no cotidiano, não apenas nos grandes momentos.
Terceiro, busque contentamento. A inquietação constante é uma marca da humanidade caída. Mas Eclesiastes nos lembra que o descanso da alma está em Deus.
Quarto, considere a eternidade. O autor aponta para um juízo final, onde tudo será avaliado com justiça. Essa visão transforma nossa maneira de viver hoje.
Jesus e a esperança por trás de Eclesiastes
Eclesiastes é como um farol que aponta para algo maior. Ele escancara a necessidade de redenção, porque o mundo quebrado que ele descreve só encontra cura em Cristo.
Se Salomão disse que tudo é vaidade sem Deus, Jesus veio para mostrar que, nEle, nada é em vão. Paulo ecoa essa verdade quando afirma que “no Senhor, o trabalho de vocês não é inútil” (1 Coríntios 15:58). Em Cristo, o vazio é preenchido, a morte é vencida e a eternidade é garantida.
Jesus é a resposta que o coração inquieto do Pregador só podia antecipar. Quem escreveu Eclesiastes viu a vida com clareza. Jesus veio trazer a vida com plenitude.
Conclusão: um chamado para viver com profundidade
Saber quem escreveu Eclesiastes nos ajuda a ouvir essa voz com mais atenção. É a voz de alguém que teve tudo o que muitos sonham e descobriu que nada disso preenche a alma. É também a voz de alguém que, no fim, encontrou descanso no temor do Senhor.
O convite do livro é simples e transformador: pare de correr atrás do vento. Viva diante de Deus. Busque sabedoria verdadeira. Abrace a vida com sinceridade. Confie na eternidade. E deixe que Cristo seja o centro da sua história.
Quando você faz isso, a existência deixa de ser um ciclo vazio e se torna um caminho cheio de propósito, graça e esperança. A mesma esperança que moveu o coração daquele que escreveu Eclesiastes continua disponível hoje, para todo aquele que decide caminhar com Jesus.

